sexta-feira, 31 de julho de 2009 0 comments

A viagem do elefante


Imagine que no século XVI, o "quintal" da torre de Belém era habitada por alguém muito especial: o elefante Salomão e seu conarca Suhro (ou Solimão e Fritz, como foram conhecidos na Áustria). Para se livrar dos gastos com tamanho animal, o rei de Portugal decidiu dar de presente o elefante para o arqueduque da Áustria.


A viagem do elefante é apenas um pretexto para que Saramago crie um mundo cheio de personagens - reais e imaginários. O título e a capa infantis escondem com ironia as críticas à sociedade portuguesa - da época? ou de hoje? A viagem em si é uma grande gargalhada à hipocrisia dos governantes, capazes de receberem 'elefantes' como presentes :)


O elefante não vai sozinho, claro! Leva consigo Suhro, o conarca indiano "convertido" católico. Nas paradas para descanso, as conversas de Suhro com os colegas, com o arqueduque, com os padres e todos, mostra que o "bárbaro" estava bem longe de endender um mundo muito mais místico que o da Índia... Um mundo em que brincadeiras de elefante viram milagre...
quinta-feira, 30 de julho de 2009 1 comments

Portugal em imagens

Eu e a Léia fomos para Portugal antes da Páscoa e fomos recebidas pela Kelli e pelo Luís...

A Kelli nos incentivou a criar blogg e documentar em fotos as nossas viagens...

Olha só o link maravilhoso que ela criou:

http://multiply.com/u/9ToSIpq
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Construindo uma gramática

Imagina que você tem a missão de escrever uma gramática e um dicionário de uma língua desconhecida... Não estou falando de alemão ou japonês... Imagine que você tem de escrever uma gramática de uma lingua da amazônia jamais vista.

O primeiro passo é descobrir se há falantes bilíngües, que possam traduzir textos e palavras da lingua amazônica para o português.

O linguista e o "consultor" controem então listas de palavras e frases - utéis no primeiro momento, mas só no começo...

Com o tempo, começam a gravar textos inteiros - mitos, depoimentos, diálogos... O ideal é gravar os falantes monolingues - aqueles que só falam uma língua - e depois transcrever, traduzir e losar com a ajuda do "consultor" (o tal falante bilíngue).

Dos textos, saem as hipóteses do lingüista. Essas são testadas por 'elicitação' - um método de fazer perguntas que permitem identificar estruturas linguisticas. Por exemplo, se você está escrevendo a gramática do inglês e vê uma frase do tipo "the snake bited the man", você pode perguntar como seria "a cobra mordeu ele" e você vai perceber que a forma do objeto é "him": "the snake bitted him".

O linguista faz trabalho de campo para documentar as línguas indígenas. Um trabalho que envolve documentar (registrar) e descrever (analisar e entender).
quarta-feira, 29 de julho de 2009 0 comments

O Congresso de Americanistas

No Congresso de Americanistas, pude participar dos simposios de linguistica descritiva - que so linguistas entendem - e tambem de um simposio sobre linguas e culturas do Rio Negro. Antropologos e linguistas tentando juntos entender a historia e as mudancas do Alto Rio Negro.

No Alto Rio Negro, sao faladas mais de 20 linguas de tres familias principais - Arawak, Tukano, Nadahup (o jeito politicamente correto de falar dos Maku). A partir do final do seculo XIX, entretanto, o Nheengatu tambem passou a ser falado na regiao, de modo que os Bare, Baniwa e Werekena agora falam a lingua geral. No Rio Waupes, o Nheengatu nao teve tanta forca, mas la uma lingua Tukano passou a funcionar como lingua geral - no sentido de lingua de contato entre diversos povos.

Cada pesquisador sabe um pedacinho da historia e juntos comecamos a entender os processos e, quem sabe, criar condicoes melhores para o povos do Alto Rio Negro.
segunda-feira, 20 de julho de 2009 1 comments

O Mexico do Nahuatl


Enfim no México...

25 milhoes de habitantes... Nao eh preciso dizer mais nada, ne?

Mas imagina no tempo da invasao européia... Tenoticlan possuia cerca de 200 mil pessoas - maior do que qualquer cidade da terra dos conquistadores...

No sabado fomos aas ruinas dos mexicas na cidade do Mexico... Passear pelas ruinas foi uma bela introducao para a conferencia de hoje sobre o Nahuatl classico (lingua). A hipotese eh de que o Nahuatl da cidade grande tinha variacoes sociolinguisticas devido ao contato de varios falares regionais... Mais ou menos como Sao Paulo, em que pessoas de todas as partes se reunem criando um Portugues Brasileiro com variacoes que mostram niveis sociais, assim tambem o Nahuatl teria variacoes e tendencias bem diferentes das dos dialetos de interior (sempre mais conservadores)...

Desculpem o blog linguistico... Apenas estou recuperando a paixao pela Linguistica...
segunda-feira, 13 de julho de 2009 1 comments

Een biertje, alstublieft!

Todo turista tenta conhecer a noite de verdade - aquela em que estão os nativos e não os turistas. É o velho paradoxo: O que o turista mais quer é não ser turista.

Em Londres, fiquei hospedada em casa de uma Amiga-Africanista (Bethnal Green). À noite, fomos nos divertir em Brick Lane, uma rua enorme cheia de bares e restaurantes indianos baratíssimos!!!

Em Amsterdam, fuja de Leideseplein e de Rembrandtplein... Sério! Só consegui conhecer bares legais saindo com o Namorado-Holandês... Adoro as cervejas do De bekeerde suster na Niewmarkt. Elas são feitas por um processo artesanal... O nome do bar lembra uma freira - que nem sempre teria sido tão santinha :)

PROOOOOOOOOOOOOST!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
domingo, 12 de julho de 2009 0 comments

Colonização ao reverso

Quem não tem grana nem coragem pra ir pra África, pode dar uma passadinha em Londres ou Paris...

Em Paris, vai encontrar uma população gigante de imigrantes - que deixam o Sarkozy bem feliz :) - Na Bastilha, o show de bandas de origem africana foi muito bom... Tá, teve bandas bem legais e outras nem tanto. (13/07/2007)

O Egito está em Londres! Múmias, sacófagos, tudo no British museum Adorei os assírios e as matanças de leão... Hehehe... Várias formas de matar um leão!

Pra finalizar o passeio pela África na Europa, que tal camarão? Camarão, não! Comida do camarão! Tem um em Clapton Pond, Hackney que se chama Mgbangang' (pega o ônibus 106 da estação Bethnal Green).

O lugar tem cara de restaurante de interior... Parede azul; tv sempre ligada, pois é a única tv da casa; um balcão cheio de bebidas fortíssimas; e uma senhora simpática que atende e cozinha. Cozinha o quê? Muitas carnes: frango de panela; banana frita (que chama plantae) e outras coisas (de porco e de boi). Adorei as bananas!
domingo, 5 de julho de 2009 1 comments

Indonésia à holandesa

Os colonizadores são os verdadeiros colonizados...

Chega de batata! Melhor aprender com os povos conquistados e com os imigrantes...

Na Holanda, além do croquete e da batata frita, aprecie os restaurantes indonésios. O melhor é o ANEKA RASA perto da Estação Central, mas é caríssimo! Uma boa opção é o KANTJIL na Spui... Vá em três e peça um prato para dois, dá e sobra...

Camarão com muuuuuuuuuita pimenta! Carne, ovos cozidos e vegetais com molhos especiais. E claro "kip saté", o frango com creme de amendoim picante...

Mas se ficar com medo de tanta novidade. Vá em qualquer lojinha e peça "patat met saté", a batata frita belga com o creme de amendoim... Hummm...
sexta-feira, 3 de julho de 2009 0 comments

Sabores do norte e do sul

Quando pensamos em comida no continente europeu, sempre pensamos nas massas italianas, no bacalhau e doces portugueses, na paella espanhola (catalã para ser mais exata), nos queijos e pratos chiquérrimos da França - um país que é capaz de fazer um misto quente com ovo frito se chamar "croque madame" e custar oito euros (eu não estou brincando!).

A fama dos países do norte não é tão boa. Os holandes fazem panquecas e croquetes de batata; os ingleses são os donos da batata assada ("jacket potato" com queijo e feijão!) e os alemães inventaram o hamburger e o cachorro quente. Para acompanhar tudo isso, batata frita! Assunto que por aqui é motivo de briga. A batata fininha é francesa - daí o nome "french fries". Os belgas fizeram uma batata frita cortada mais grossa, crocante por fora! Na Holanda, há lojas especiais só para vender "vlaamse frieten". E pasmem: para acompanhar, "saté", um creme de amendoim picante, criado pelos indonésios.
 
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