terça-feira, 16 de março de 2010 1 comments

Com referência!



As idéias circulam na internet, uns imitam os outros com ou sem aspas. Pode-se dizer que o homo sapiens é um plagiador por natureza. Até uma das nossas grandes descobertas - o fogo - pode ter sido copiada do nosso inimigo extinto de Neanderthal .

O Nheengatú tem até uma partícula só para dizer que a fonte da informação não pode ser recuperada. Por exemplo, as verdades estabelecidas historicamente e os mitos não têm uma referência clara, e isso é indicado obrigatoriamente pela partícula paa.

A primeira descrição dessa partícula foi feita por Stradelli em um dicionário de 1929. Por ironia, em 2000, um padre, estabelecido no Amazonas, escreveu uma gramática da mesma língua e coloca exatamente a mesma definição de 1929, sem referência alguma. Com um agravante, Stradelli chama de "forma" (o que não significa nada, mas também não está errado), enquanto o padre diz "verbo" (o que significa muita coisa, e está bem errado).

Absurdo, né?

E enquanto o padre copia, eu trabalho para entender a forma, sua função e origem. E lá vai eu falar sobre isso em Leiden.
sexta-feira, 12 de março de 2010 1 comments

Em homenagem ao Glauco (1957 - 2010)

Apenas deixo um link para o Zé Malária , uma crítica comédia aos paulistas que não conhecem a floresta (e principalmente, àqueles que como eu, inventam de pesquisá-la).

O Zé Malária e o Glauco não sabiam, mas a floresta é bem menos perigosa que a metropóle paulistana.
domingo, 7 de março de 2010 0 comments

A casa de Anne

A Kelli me perguntou a minha opinião sobre a Casa de Anne Frank em Amsterdam. Para quem não sabe, Anne Frank foi uma garotinha judia que, durante a guerra teve de se esconder nos fundos de uma casa em Amsterdam.

Escondida atrás de uma estante de livros, Anne escreveu um diário, em que conta o horror da guerra, o medo de serem encontrados pelos nazistas, o silêncio obrigatório. Enfim, um livro que todo adolescente deve ler.

A casa converteu-se em um museu que atrái turistas do mundo todo. Leitores, curiosos... Esse excesso de turistas me incomoda. Não é possível sentir o silêncio, o vazio, o que foi a guerra e a vida de Anne Frank.

Incomoda também o tom marqueteiro do museu. Quem quiser pode ao final da visita, enviar um video para a família comentando. A idéia é ótima para o Van Gogh, o Louvre, mas estúpida para um museu que trata de um dos momentos mais terríveis e dolorosos da história da humanidade.

Há claro um tom informativo, que vale a pena conhecer: os vídeos com entrevistas a Otto Frank e outras pessoas que conviveram com Anne; as cartas e fotos da época, etc. O museu seria excelente se eles controlassem o número de visitantes.

Antes de visitar o museu, vale a pena conferir os filmes sobre a guerra produzidos na Holanda, como já comentei aqui.
quinta-feira, 4 de março de 2010 4 comments

A nossa mania de colocar vírgula onde dizem que não devíamos

Ops! No post anterior, cometi um erro crasso: Coloquei uma vírgula entre o sujeito e e verbo, veja:

Muito estudo, rendeu-lhe uma análise fonológica.

CRUCIFICA-ME!!!!!!!!!!!!

Eu deveria simplesmente ir lá e apagar, mas achei que seria melhor me perguntar: Por que eu fiz isso? Por que é tão comum quando não estamos atentos às "regras da gramática" colocarmos uma vírgula entre o sujeito e e verbo? Para quem odeia gramática o sujeito é "Muito estudo".

Outra pergunta relacionada é por que a professora de Português não precisa nos ensinar que não precisa colocar vírgula entre objeto e o verbo, ou seja ninguém escreve:

Muito estudo rendeu-lhe, uma análise fonológica.
(COMPLETAMENTE ESTRANHO)

Uma resposta pode vir da noção de tópico. Sem tentar ser precisa aqui, vamos dizer que o tópico é aquilo do que se fala, o tema da conversa. É algo velho, no sentido de que tanto o falante quanto o ouvinte conhecem o tópico (caso contrário, teríamos uma conversa de doido).

Em geral, o tópico e o sujeito são o mesmo, mas nada impede que eu coloque o objeto direto como tópico. E daí a vírgula é obrigatória, veja:

Um análise fonológica, o estudo lhe rendeu.

Assim, ao invés de criticarmos tanto aqueles que erram, que "pecam contra Santa Madre Língua Portuguesa", seria legal pensar também no que esses "erros" falam sobre como as línguas funcionam.

Não estou dizendo que vale tudo. Escrever é questão de cumprir certas leis e se você não as cumprir não vai conseguir um emprego, ok? Sem falar que um blog com muitos "erros" é insuportável.
 
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