sábado, 14 de janeiro de 2012 0 comments

Sonny Boy

O cinema holandês está sempre tentando entender a guerra e a sociedade que a gerou. Já comentei aqui sobre Zwartboek ("Livro preto", 2006) e Oorlogswinter ("A guerra no inverno", 2008). Em Sonny Boy (2011), a diretora Maria Peters retoma o tempo da guerra para contar a história real de Rika van der Lans e Waldemar Nods. Rika é uma mulher alegre, forte, mãe de quatro crianças que se divorcia do marido quando descobre que está sendo traída. Waldemar é um surinamês que imigra para Holanda em busca de melhor educação. 


Uma mulher separada e um jovem negro? Na Holanda de 2012, pensamentos preconceituosos seriam provavelmente reprimidos (não que tenham desaparecido, mas a maioria das pessoas acredita que cada um deve cuidar de sua vida, desde que não atrapalhe a dos outros). Na Holanda de 1930s, porém, o casal era visto como uma afronta aos valores da época e, portanto, era melhor que estivesse longe dos olhos dos "cidadãos de bem". 

Não espere, porém, um Romeu e Julieta dos anos 1930. Rika e Wald parecem estar juntos mais por amor ao pequeno Sonny Boy do que por serem felizes. Juntos, enfrentam a pobreza, as manifestações racistas da sociedade em geral e das próprias famílias. Os problemas do dia-a-dia, porém, tornam-se menores diante da guerra.

Contar essa história quando a população holandesa começa a votar em políticos conservadores, xenófobos, já é por si só um valor do filme. Para nós, brasileiros, faz refletir sobre atitudes racistas. Se, no passado, pudemos fingir que racismo era coisa de americano, a blogosfera espalha histórias que deveriam acabar com nossa hipocrisia sobre o assunto: o racismo ocorre no restaurante de Sampa (aqui), no supermercado na Bahia (aqui), onde mais?

domingo, 8 de janeiro de 2012 2 comments

Celina, a amiga e a professora


Minha primeira professora de Nheengatú, Profa. Celina, morava em uma casinha de madeira em uma rua do centro de São Gabriel. Vez ou outra, eu passava por lá, sentava, observava ela corrigir as provas (e, às vezes, a ajudava a corrigir), tomávamos um suco gostoso de araçá e conversávamos por horas. Conversávamos sobre as aulas de Nheengatú, sobre o pai dela, sobre quando a pequena nasceu, sobre os últimos acontecimentos em Gabriel... Sempre preocupada com os filhos, com os netos, com os alunos, com o marido e com a vida difícil que levava. Toda a preocupação não lhe tirava o sorriso...

Também trabalhamos muito - o que aliás também era sinônimo de diversão: rimos muito, transcrevendo um mito baniwa; discutimos política, transcrevendo depoimentos de lideranças. Na última vez que estive em São Gabriel, Celina estava trabalhando em período integral e, por isso, não tinha como trabalhar nas transcrições. Generosa, me apresentou a Profa. Marlene, outra figura fantástica do universo gabrielense. Com Profa. Marlene, transcrevi boa parte dos textos usados na gramática do Nheengaú. Quando as duas se juntavam, riam de mim que só. 

Lembro-me que uma vez encontrei Celina em uma festa junina na praia. Ela estava tão bonita com uma blusa preta, radiante ao lado do marido. Ele contava histórias e ela ria, ria... Não há como falar de Profa. Celina sem lembrar ser contagiada por seu sorriso. 


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 1 comments

Mulheres modernas usam silicone

Atrasada como sempre, acabo de descobrir as maravilhas do silicone. Olha só o bolo de cenoura que eu acabei de fazer:



Tudo muito mais fácil com a forma de silicone e o pincel de silicone


terça-feira, 3 de janeiro de 2012 2 comments

Lições de 2011



Em 2011, eu chorei e fiz um drama nos momentos mais felizes da minha vida. Foram muitas conquistas, realizações de sonhos: o livro, a defesa, o concurso. Eu me angustiei com cada detalhe menos importante. É certo que alguns dos "detalhes" foram criados pelo cinismo e mau-caratismo de alguns, mas não valia a pena tanto stress.

Em 2011, eu quase não chorei nos momentos mais duros da vida. Não havia tempo para chorar, era preciso acordar cedo, dirigir uma hora até o hospital, voltar tarde. Às vezes, era preciso passar a noite aos sobressaltos, prestando atenção em cada movimento.

Nos primeiros dias, queríamos nos revoltar: "Que Deus era aquele de que a mamãe tanto falava?" Com o passar dos dias, vimos que não estávamos sozinhos, que outros netos, filhos, pais, irmãos passavam por momentos semelhantes.

Houve dias que eu me irritei profundamente com crentes que vendiam a cura como se o doente fosse algum tipo de criminoso, infiel. Outros dias, gostaria de ter mais fé. E como doía o entendimento de que a oração mais importante, pedia apenas que aceitássemos um futuro que nem sempre era o que desejávamos: "Seja feita a vossa vontade".

E, sim, em 2011 reapreendi a rezar. Aprendi que rezar é uma forma de desejar o bem, de conectar as pessoas, de mesmo de longe concentrar todas as forças para que alguém se recupere. 2012 começa com uma oração por uma família que precisa de todo o apoio e fé.
 
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