Em julho de 2009, a Universidade do México sediará o 53o. Congresso Internacional de Americanistas. Trata-se do maior e mais importante congresso de especialistas em 'americanistica', ou seja, os caras que estudam línguas e culturas da América: linguistas, antropólogos, sociólogos, jornalistas e outros.
Fiquei muito, muito contente quando meu resumo foi aceito para apresentar no Simpósio Línguas e Culturas do Alto Rio Negro. Era uma grande oportunidade de conhecer os professores que trabalham com línguas Maku, Tukano e Arawak e de estabelecer conexões com os antropólogos de São Gabriel da Cachoeira.
Fiquei tão feliz quando eu e a Amiga-Holandesa compramos as passagens e reservamos o hotel juntas :) Muito legal mesmo!!!
Mas... logo depois que compramos as passagens veio o balde d'água fria: a gripe suína! Em abril, telefonamos para a KLM para tentar desmarcar as passagens. A resposta: ainda não, espere até o mês da viagem. Em maio, a KLM estava reembolsando os passageiros, mas os de julho deviam esperar para ver se a situação melhorava.
Ontem ligamos de novo. A KLM e a seguradora de viagens do ABN me avisaram que a indicação de evitar as viagens ao México foram revogadas. Como assim foram revogadas? Hoje mesmo o México afirmou que 113 pessoas morreram de gripe.
Assim, o sonho de ir para o México aos poucos se transforma em um grande medo, mas talvez eu esteja exagerando.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Cotidiano,
Lingüística
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O México, a gripe e os americanistas
They are just human beings...
Este final de semana, assistimos a dois filmes holandeses sobre a guerra: Zwartboek ("Livro preto") e Oorlogswinter (2008), "a guerra no inverno".
Diferente da visão maniqueista a que estamos mais acostumados, nos filmes holandeses prevalece a consciência de que todos eram vítimas.
Em Oorlogswinter, o governo nazista era capaz de fuzilar o prefeito da cidade na praça central em plena luz do dia. Por outro, os soldados alemães salvam a vida de um garoto (o filho do prefeito) no canal congelado. "Quando os russos chegarem, vamos saber quem é o conquistador", resume uma personagem ao final do filme.
Zwartboek peca por um enrendo meio pastelão, mas mantém a consciência de que bons e maus estão em todos os lados. O filme nos leva a torcer pela vida de um general alemão e, ao mesmo tempo, mostra que na Resitência havia muitos nazistas infiltrados.
Longe de mostrar os "salvadores" que destroem o inimigo nazista, os filmes lembram que os soldados - tanto alemães quanto os resistentes - são homens, com seus medos, com seu ódio, mas também com uma capacidade imensa de ser solidário.

A primeira vez que tentei ler um Saramago, comecei logo por Memorial do Convento - o livro predileto da Amiga-Portuguesa. Foi no tempo de cursinho e com toda a tensão daquele momento, confesso que não saí das primeiras páginas.
Anos depois, já na Faculdade de Letras, o Amigo-Linguista-de-Sinais me deu de presente O Conto da Ilha Desconhecida e avisou que se tratava de uma iniciação a Saramago.
O livro é curtinho, cheio de desenhos. O enredo é delicioso, construído em cima da ousadia de um homem que ordena ao rei: "Dá-me um barco!"
O livro conquistou a todos lá em casa: Mamãe, Irmão-Mais-Velho, Titia... E conquistou também os professores em formação de São Gabriel da Cachoeira, que o encenaram em forma de peça (foto acima).
Na minha primeira viagem ao Brasil, resolvi comprar um relógio de parede enooooRme... Redondo, de vidro, com um mapa-mundi desenhado. Lindo!!! (embora nada a ver com a decoração da casa dos meus pais). O relógio permitiria que a mamãe soubesse as horas no Brasil e na Holanda :)
Encontrei-o na Expo da Kalvestraat e comprei-o imediatamente - ainda mais porque o "SALE" inflamava meus instintos consumistas.
Dias depois, qual não foi a minha surpresa quando abri a caixa... Ao invés de "O Mapa-mundi", vinha "O Pato". Sim! Um pato amarelo, E-NOOOOOOOOOOOORRRRRRRRRR-ME!!!!!!! Daqueles de banheira, sabe?
Seja por preguiça ou por timidez, deixei-me ficar com o pato. Ou melhor, pedi para o Amigo-Americano guardar para mim...
O pato ficou na caixa por um ano... Foi o Namorado da Amiga-Loira que decidiu colocá-lo na parede do apartamento da Guesthouse. E dai, toda vez que vinha visita, eu explicava a razão de ter um pato no meio da sala.
Agora, na casa nova, resolvi que o Pato não ficava bem... E lá vai o Pato de avião pro Brasil, vamos ver se meu Sobrinho ou a Vovó se afeiçoam por ele. Mas, não é que agora, dá-me uma saudade do Pato...
Encontrei-o na Expo da Kalvestraat e comprei-o imediatamente - ainda mais porque o "SALE" inflamava meus instintos consumistas.
Dias depois, qual não foi a minha surpresa quando abri a caixa... Ao invés de "O Mapa-mundi", vinha "O Pato". Sim! Um pato amarelo, E-NOOOOOOOOOOOORRRRRRRRRR-ME!!!!!!! Daqueles de banheira, sabe?
Seja por preguiça ou por timidez, deixei-me ficar com o pato. Ou melhor, pedi para o Amigo-Americano guardar para mim...
O pato ficou na caixa por um ano... Foi o Namorado da Amiga-Loira que decidiu colocá-lo na parede do apartamento da Guesthouse. E dai, toda vez que vinha visita, eu explicava a razão de ter um pato no meio da sala.
Agora, na casa nova, resolvi que o Pato não ficava bem... E lá vai o Pato de avião pro Brasil, vamos ver se meu Sobrinho ou a Vovó se afeiçoam por ele. Mas, não é que agora, dá-me uma saudade do Pato...
Hoje foi o dia da Fonologia...
"Em Manchester, discutimos bastante sobre a necessidade de retomarmos a literatura básica - clássica de Fonologia"... No curso da LOT Summer School, revisamos os conceitos de traços, para que eles servem? Basta criar um sistema mínimo? Ou devemos calcar o sistema nos processos fonológicos possíveis nas línguas.
Parece bobo... Quem não é lingüista, sabe muito bem que os lingüistas são pessoas que estudam línguas. Mas nós, lingüistas, gostamos tanto de sistemas abstratos, que às vezes nos esquecemos de olhar para as línguas.
"Em Manchester, discutimos bastante sobre a necessidade de retomarmos a literatura básica - clássica de Fonologia"... No curso da LOT Summer School, revisamos os conceitos de traços, para que eles servem? Basta criar um sistema mínimo? Ou devemos calcar o sistema nos processos fonológicos possíveis nas línguas.
Parece bobo... Quem não é lingüista, sabe muito bem que os lingüistas são pessoas que estudam línguas. Mas nós, lingüistas, gostamos tanto de sistemas abstratos, que às vezes nos esquecemos de olhar para as línguas.
Algumas coisas nunca funcionam... E isso independe de estarmos na Europa ou no Brasil.
Instalar o lustre é uma delas! Por algum motivo, a embalagem nunca tem tudo o que você vai precisar. Um manual tenta explicar o processo de instalação. Como o mundo todo tem de receber as mesmas instruções, as empresas tiveram a brilhante idéia de substituir os manuais convencionais com textos por seqüências de imagens. Great! Assim brasileiros, holandeses e japoneses podem olhar os desenhinhos e ... tchanan... instalar o lustre.
O próximo passo é descobrir que o parafuso não é do tamanho certo, porque os parafusos nunca são do tamanho certo! No Brasil, o papai daria um jeitinho com arame e com fio isolante... O papai adora o Magaiver, mas é claro que nem sempre funciona... Ou se funciona, sempre peca pela estética. O Namorado finalmente me ouve e resolve deixar a instalação para amanhã, assim terá tempo de comprar um parafuso do tamanho certo... Claro, pois holandeses e brasileiros sempre deixam para instalar o lustre à noite.
Instalar o lustre é uma delas! Por algum motivo, a embalagem nunca tem tudo o que você vai precisar. Um manual tenta explicar o processo de instalação. Como o mundo todo tem de receber as mesmas instruções, as empresas tiveram a brilhante idéia de substituir os manuais convencionais com textos por seqüências de imagens. Great! Assim brasileiros, holandeses e japoneses podem olhar os desenhinhos e ... tchanan... instalar o lustre.
O próximo passo é descobrir que o parafuso não é do tamanho certo, porque os parafusos nunca são do tamanho certo! No Brasil, o papai daria um jeitinho com arame e com fio isolante... O papai adora o Magaiver, mas é claro que nem sempre funciona... Ou se funciona, sempre peca pela estética. O Namorado finalmente me ouve e resolve deixar a instalação para amanhã, assim terá tempo de comprar um parafuso do tamanho certo... Claro, pois holandeses e brasileiros sempre deixam para instalar o lustre à noite.
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