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sexta-feira, 11 de novembro de 2016 0 comments

Collecting the 19th century

Museological and archaeological perspectives fromEurope and Latin America, Leiden University, October 17th, 2016
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The event put together colleagues working on the anthropological collections made in 19th century by European museums, using material collected in Americas. The event made me think about my own work as a linguist who describe indigenous languages: is the documentation of indigenous languages of Americas a continuity of the 19th century expeditions? Is  digital database a modern version of museum collections? How can we use the activity of documenting languages and registering cultures to have a stronger impact in the valorization of cultural diversity?  How can we use the activity of documenting languages and registering cultures to have a stronger impact in the day-by-day lives of the communities with whom we work?
segunda-feira, 2 de maio de 2016 0 comments

Da onde vem as curtidas do Bolsonaro...

Um teste, um simples teste de internet: “Clique aqui para ver se seus amigos curtem Bolsonaro!” Quem resiste, não é? Claro que tem sempre um colega de colégio daqueles que você não vê há alguns anos, morador da Reaçolândia. Mas daí vem o choque – esperado, é verdade, mas choque: uma grande amiga da mamãe e minha amiga também.

Ah! Por favor, deleta sem pestanejar!!!

Mas daí me lembro que a Amiga mora no bairro que se encontra no final da rua da minha casa. Quando nasci, chamávamos aquele lugar de “favela” e não passávamos por lá de jeito nenhum. Na minha infância, a turma do bairro e a turma da favela se uniram e conseguiram eleger um vereador do PT. Essa união jamais teria ocorrido não fosse a igreja católica do bairro – seria maldade não mencionar. Comunidade e vereador trabalharam duro, conseguiram levar água, luz, caminhão de lixo, urbanizar a favela. Os problemas não desapareceram (claro que não!), mas agora há mais dignidade para enfrentá-los.

E a Amiga enfrenta... Ah! Enfrenta muito mais do que eu! Um dia o prefeito visitaria a escola do bairro. Antes da visita, funcionários da prefeitura limparam a rua, pintaram o meio fio. E a Amiga foi conversar com os funcionários. Indignada perguntava: “Por que vocês nunca limpam a rua, nunca pintam nada e agora vem fazer isso? O prefeito tem de ver a cidade como é de verdade, como ele deixa para nós moradores.”

Em outro episódio, movimentou a escola toda para pedir sua reforma. O prédio estava caindo aos pedaços com goteiras para todos e lados. Como membro atuante a associação de pais, conseguiu chamar a atenção dos governantes (do PT, diga-se de passagem) e já estão construindo uma escola nova. Fizeram bobagem nessa construção – devo concordar com a Amiga – tiraram um jardim gigante com árvores enormes para construir uma quadra esportiva (detalhe há uma quadra na pracinha em frente à escola, e ninguém usa).


E por que a Amiga “curte Bolsonaro”? Não perguntei. Tenho certeza de que não tem nada a ver com racismo ou apologia à tortura (provavelmente nem sabe de tudo isso). Em uma das nossas últimas conversas, ela me contou do material didático preparado para discutir questões de sexualidade. Não conheço o material, não posso julgá-lo, mas contei-lhe sobre como é guerreira e estudiosa, minha aluna trans. Ela concordou com o respeito aos trans, contou sobre os colegas da filha na turma de Jazz (de graça, pela prefeitura). Mas simplesmente não tolerou o material. 


Disclaimer:  é sempre bom tentar entender
porque o oprimido segue o seu opressor.



20 de abril de 2016.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012 2 comments

Lições de 2011



Em 2011, eu chorei e fiz um drama nos momentos mais felizes da minha vida. Foram muitas conquistas, realizações de sonhos: o livro, a defesa, o concurso. Eu me angustiei com cada detalhe menos importante. É certo que alguns dos "detalhes" foram criados pelo cinismo e mau-caratismo de alguns, mas não valia a pena tanto stress.

Em 2011, eu quase não chorei nos momentos mais duros da vida. Não havia tempo para chorar, era preciso acordar cedo, dirigir uma hora até o hospital, voltar tarde. Às vezes, era preciso passar a noite aos sobressaltos, prestando atenção em cada movimento.

Nos primeiros dias, queríamos nos revoltar: "Que Deus era aquele de que a mamãe tanto falava?" Com o passar dos dias, vimos que não estávamos sozinhos, que outros netos, filhos, pais, irmãos passavam por momentos semelhantes.

Houve dias que eu me irritei profundamente com crentes que vendiam a cura como se o doente fosse algum tipo de criminoso, infiel. Outros dias, gostaria de ter mais fé. E como doía o entendimento de que a oração mais importante, pedia apenas que aceitássemos um futuro que nem sempre era o que desejávamos: "Seja feita a vossa vontade".

E, sim, em 2011 reapreendi a rezar. Aprendi que rezar é uma forma de desejar o bem, de conectar as pessoas, de mesmo de longe concentrar todas as forças para que alguém se recupere. 2012 começa com uma oração por uma família que precisa de todo o apoio e fé.
 
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