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sexta-feira, 11 de novembro de 2016 0 comments

Collecting the 19th century

Museological and archaeological perspectives fromEurope and Latin America, Leiden University, October 17th, 2016
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The event put together colleagues working on the anthropological collections made in 19th century by European museums, using material collected in Americas. The event made me think about my own work as a linguist who describe indigenous languages: is the documentation of indigenous languages of Americas a continuity of the 19th century expeditions? Is  digital database a modern version of museum collections? How can we use the activity of documenting languages and registering cultures to have a stronger impact in the valorization of cultural diversity?  How can we use the activity of documenting languages and registering cultures to have a stronger impact in the day-by-day lives of the communities with whom we work?
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 0 comments

Sonny Boy

O cinema holandês está sempre tentando entender a guerra e a sociedade que a gerou. Já comentei aqui sobre Zwartboek ("Livro preto", 2006) e Oorlogswinter ("A guerra no inverno", 2008). Em Sonny Boy (2011), a diretora Maria Peters retoma o tempo da guerra para contar a história real de Rika van der Lans e Waldemar Nods. Rika é uma mulher alegre, forte, mãe de quatro crianças que se divorcia do marido quando descobre que está sendo traída. Waldemar é um surinamês que imigra para Holanda em busca de melhor educação. 


Uma mulher separada e um jovem negro? Na Holanda de 2012, pensamentos preconceituosos seriam provavelmente reprimidos (não que tenham desaparecido, mas a maioria das pessoas acredita que cada um deve cuidar de sua vida, desde que não atrapalhe a dos outros). Na Holanda de 1930s, porém, o casal era visto como uma afronta aos valores da época e, portanto, era melhor que estivesse longe dos olhos dos "cidadãos de bem". 

Não espere, porém, um Romeu e Julieta dos anos 1930. Rika e Wald parecem estar juntos mais por amor ao pequeno Sonny Boy do que por serem felizes. Juntos, enfrentam a pobreza, as manifestações racistas da sociedade em geral e das próprias famílias. Os problemas do dia-a-dia, porém, tornam-se menores diante da guerra.

Contar essa história quando a população holandesa começa a votar em políticos conservadores, xenófobos, já é por si só um valor do filme. Para nós, brasileiros, faz refletir sobre atitudes racistas. Se, no passado, pudemos fingir que racismo era coisa de americano, a blogosfera espalha histórias que deveriam acabar com nossa hipocrisia sobre o assunto: o racismo ocorre no restaurante de Sampa (aqui), no supermercado na Bahia (aqui), onde mais?

domingo, 24 de julho de 2011 5 comments

Eternos operários de Germinal

Diante da perspectiva de que a usina de Fukushima pudesse explodir, manifestei-me desfavoravelmente a usinas nucleares, especialmente em uma região de falha tectônica. Alguém, provavelmente um físico, contestou que não havia outra solução para o Japão. Para um crescimento com toda a tecnologia que o Japão dispõe e boa parte do resto do mundo inveja, talvez não haja mesmo outra solução.

Mas daí vem a pergunta sobre até que ponto precisamos de toda essa tecnologia? Ou, em uma versão mais moderada da pergunta, até que ponto não é possível investir em tecnologias que usem formas de energia menos agressivas? Vivendo na Holanda, utilizando bicicleta para distâncias curtas e trem para distâncias longas, olhando para a janela enorme do apartamento que permite que eu não precise acender a luz durante o dia, tenho a impressão de que podemos pelo menos tentar usar menos energia.

Nas viagens pela Holanda, olho para os grandes moinhos modernos e me pergunto "energia eólica é bobagem com dizem colegas no Brasil? Então, por que os holandeses constroem tantos moinhos?" Não tenho respostas, apenas me junto aos 40 mil chilenos que em 20 de maio questionaram a construção de hidroelétricas na Patagônia, um dos biomas mais bem preservados da terra e com uma quantidade de seres que só ocorrem naquele lugar (além de ser um lugar fantástico, como vi com meus próprios olhos em 2005, veja fotos aqui).

E me impressiono com a crueldade com que parecem estar sendo tratados os construtores de Jirau. A  reportagem descreve cenas tão dantescas, misturadas ao rídiculo do canal de TV que finge que manifestações são atos de "vandalismo", que custei a acreditar no que li. Somos nós eternamente operários das minas no Germinal.  

Escrito em maio/2011

domingo, 4 de abril de 2010 0 comments

Páscoa

Ufa! Finalmente a Páscoa para renovar as energias depois de um tempo de correria (e muita alegria com meus visitantes ilustres).

Na Páscoa holandesa, as casas são decoradas com galinhas e ovos cozidos pintados pelas crianças. A primeira vez que fui à casa dos pais do Namorado, me supreendi:

- Por que tua mãe gosta tanto de galinhas?
- É Páscoa!!!

Para mim, continuou estranho até que um Amigo-Engenheiro me explicou que era lógico, afinal galinhas botam ovos e não coelhos. Simples, não? Mas, eu, temoisa, continuo preferindo o Coelhinho da Páscoa com ovos de chocolate... Hummmmm... Gostoso!

E como dizem os holandeses:

FIJNE PAASDAGEN!!!!!!!!!
domingo, 21 de fevereiro de 2010 1 comments

A noite feminina em cidades pacíficas: Amsterdam e Gabriel




Ontem, encontrei amigas em Amsterdam e fomos ao Lolas, um bar com música alta, cheio de gente bonita. Cada uma veio de um canto da cidade e nos encontramos em Leidseplein. Para voltar para casa, cada uma também seguiria seu destino individualmente.

Em São Gabriel, eu e a Amiga-Professora-Educação-Física também saíamos bastante sozinhas. Iamos ao Puranga ou ao Kuka - os bares frequentados pelo pessoal da saúde e militares. Mais tarde, fiz outras amizades, com mulheres que viviam na cidade, e passei a dançar no Pé de Cará.

Amsterdam e São Gabriel permitem que suas belas mulheres saíam sozinhas - para dançar, para beber, para paquerar -, porque conciliam segurança e transporte noturno de qualidade. Em Amsterdam, qualquer garota pode pegar um ônibus, que tem horário certo para passar, e ir para sua casa tranquilamente. O preço varia entre 3,90 (dentro de Amsterdam) até 6 euros (para cidades mais distantes, como a minha Hoofddorp). Em Gabriel, é ainda mais fácil, as lotações esperam os clientes na frente dos bares. Basta pagar 5 reais e te levam para qualquer lugar da cidade.

Transporte de qualidade com preço razoável e segurança garantem a liberdade que as mulheres paulistas e cariocas perderam há muito tempo.
 
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